era uma vez um cão…final.

Sei que muita pouca gente gostaria da continuação do post sobre o Jimmy, mas agora não encontro mais inspiração nenhuma pra continuar.

Amanhã Jimmy vai embora. Vai ser re-adotado por uma família de Volta Redonda. Vai ganhar duas casas ótimas, uma em VR e outra em Penedo, irmãos poodles, um casal e mais duas crianças pra se divertir. Ótimo, né?

Não pra mim. Só deus sabe o quanto amo esse cachorro, que nesses últimos meses foi meu grande companheiro, um amigo macho em casa, pra bagunçar, pra sacanear a Patricia, pra dar uns rolés na rua, correr no Aterro (ele corre, eu vou caminhando lentamente, hehehe), enfim, um irmão, um amigo, um filho, um tudo.

Mas infelizmente ele sofre aqui. Como tinha dito no outro post, queríamos um cão pequeno, de pelo curto, fácil de criar em apartamento, que não precisasse de muito espaço nem tivesse muita energia pra gastar. O Jimmy é o inverso disso tudo. Ele é grande demais, agitado demais, e por esse motivo acaba estressado demais aqui dentro, o que gerou caguetes e tics ruins pro cachorro, como ficar se coçando em demasia.

Fim de semana passado, Patricia e eu fomos pra Piraí, curtir o Piraí Fest. Jimmy ficou na casa de meus pais, casa enorme, com quintal, grama e etc. Passado o susto inicial, o cãozinho se divertiu horrores. Corria pra todos os lados, cheirava tudo, explorava pra caramba, igual pinto no lixo. Foi quando cheguei a conclusão de que realmente seria muita maldade insistir em criá-lo aqui dentro.

Também concluí que ele vai ficar bem sem a gente. Quando voltamos de viagem ele pulou, fez festa, ficou mega-super-uber feliz em nos ver, claro, mas antes disso ele estava bem, acolheu minha avó e o pessoal lá de casa como seus donos e estava tranquilo, um filhote normal. Então claro que com a nova família vai acontecer o mesmo.

Vai ser difícil o ver indo embora. Se já dói agora, não tenho a mínima noção do tamanho da tristeza que será na hora. Patricia está arrasada, pensou em desistir várias vezes, o que me faz sentir como o vilão, estupidamente insensível, por ter de convence-la do contrário, por mais que eu esteja certo. É uma merda ter que ser forte, queria ser o frouxo e jogar tudo pro alto, falar pra outra família que não vou entregar o cachorro porra nenhuma e ficar com ele. Mas e depois?

Bom, Jimmy foi, aliás, ainda é, já que não está morto, meu grande amigo cão, quase o filho que ainda vou ter. Me deixou muito puto, com vontade de o atirar pela janela várias vezes, mas me alegrou o triplo disso. Vou sentir falta dele deitado no meu pé ou em sua caminha verde, em meu colo no sofá, dormindo com a gente na cama, vou sentir falta de brigar com ele pra não comer o que não deve (coisas como óculos, chinelos e celulares), vou sentir falta de descer com ele no elevador pra fazer cocô na rua (que ele aprendeu sozinho, por mais incrível que pareça), sentir falta das pessoas nos parando na rua pra dizer o quanto ele é lindo e fofo. Vou sentir falta de chamar seu nome.

Tchau filho-cão, papai te ama muito, só quer seu bem. Seja feliz.

Jimmy

Sobre lennao


2 Respostas to “era uma vez um cão…final.”

  • Namorada

    Post lindo e emocionante, pelo menos pra mim, pra nós…
    Já estou sentindo falta da safadeza desse bicho esperto, de brincar com ele, com vocês, de brigar com ele e de querer joga-lo pela janela. Não se sinta o vilão da história, amor.
    Nesta história, não há ninguém para se culpar (exceto nossa falta de espaço e grana, mas isso também não é lá muito voluntário). O que a gente pode fazer é torcer para que ele seja feliz e se adapte rapidinho ao novo lar (que eu queria poder explodir, só pra não ter que abrir mão do fofonildo).
    Tomara que ele continue lindo, esperto, inteligente, fofo, carinhoso, divertido, brincalhao, animadão e com esse olhar da foto. Ahh, esse olhar da foto… ;~
    Também vou sentir falta de todo mundo falando bem do nosso filhote, vou sentir falta de escondê-lo e de não poder falar dele pra quase ninguém.
    Jimmy foi o nosso segredo mais lindo e, mesmo que eu seja deserdada se souberem, vou sentir muita falta dele. Ele foi a coisa mais bonita que surgiu nas nossas vidas nos ultimos meses. Nossa maior (literalmente maior, esse bicho enorme!) e melhor prova de carinho, paciencia, perseverança e responsabilidade (praticamente um filho).
    Cuidar da Lola é pinto quando se tem um “Marley” em casa… e acho que até ela vai sentir falta.
    Não consigo imaginar como vai ser amanhã, não sei como vou olhar pras fuças da nova família, não sei se vão pensar que o estamos abandonando, não sei como vão trata-lo (bem, eu espero) e sei que ele não vai se adaptar no primeiro dia.
    De qualquer forma, me aperta o coração, de forma BEM egoísta, saber que um dia ele vai amar a uma outra família do mesmo jeito que ama a gente e pode até se esquecer de nós. Acaba comigo saber que eu nunca vou esquece-lo e que outra família vai ter essa alegria na vida.
    Ah… :(

    “Tchau filho-cão, mamãe te ama muito, só quer seu bem. Seja feliz.”
    ;~

  • Fernanda

    Ás vezes dói fazer o certo. Mas amar de verdade é fazer pelo bem dos nossos “filhos”, e não pelo nosso, né?

    Ai…

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